As pesquisas acertaram?
A última pesquisa de cada instituto antes de cada turno, comparada com o resultado oficial do TSE. Medimos o erro na vantagem do 1º colocado sobre o 2º, em votos válidos.
2026: como as pesquisas se saíram, estado a estado
Presidente e os 27 governadores. Para cada disputa, a última pesquisa de cada instituto nos 7 dias antes da eleição, em votos válidos, comparada com a urna. O erro é medido na vantagem do 1º colocado sobre o 2º (entre os dois candidatos do painel): à direita do zero, as pesquisas exageraram essa vantagem; à esquerda, subestimaram; além da linha tracejada, apontaram o líder errado.
O ranking dos institutos nas eleições para governador de 2026 está em Ranking dos institutos → Governadores · 2026.
A quem o erro favoreceu?
Em cada recorte, o erro médio da vantagem de um lado sobre o outro, nas disputas para governador: positivo, as pesquisas deram mais vantagem ao lado indicado do que a urna; negativo, deram menos. "A favor × contra" conta em quantas disputas o erro foi a favor do lado indicado e em quantas foi contra.
Estado a estado: 1º colocado, espectro e situação
Esquerda × direita, estado a estado
Erro da vantagem, eleição a eleição
Cada ponto é a pesquisa final de um instituto; a barra é a média entre eles. Acima de zero, as pesquisas exageraram a vantagem de quem ficou em 1º; abaixo, subestimaram. Cada turno é comparado com a urna do próprio turno: as pesquisas do 1º turno com o resultado do 1º turno, e as do 2º com o do 2º.
Pesquisa × urna
Ranking dos institutos
Se cada instituto errar como costuma errar
A pesquisa mais recente de cada instituto para o 2º turno de 2026, descontado o viés que ele teve nas eleições anteriores na disputa PT × principal adversário (em 2026, Situação × Oposição). Não é uma previsão: é um exercício para ver quanto do quadro atual depende do histórico de cada instituto. Como calculamos.
E o 1º turno?
No 1º turno não publicamos uma média corrigida. O erro histórico ali é grande (as pesquisas superestimaram o PT em média pts, com peso maior para as eleições recentes), mas boa parte dele vem de movimentos reais de última hora, como o voto útil e a migração de eleitores de outros candidatos, que mudam de eleição para eleição. Fica o viés histórico de cada instituto, para referência:
Metodologia
- Pesquisa final: para cada turno, usamos a última pesquisa de cada instituto com fim do trabalho de campo até 7 dias antes da eleição. Pesquisas de boca de urna ficam de fora.
- Votos válidos: as pesquisas medem intenção de voto total (com brancos, nulos e indecisos); o TSE divulga votos válidos. Retiramos brancos, nulos e indecisos e recalculamos a parte de cada candidato, o mesmo procedimento que os institutos usam na véspera.
- Vantagem: diferença, em pontos percentuais, entre o 1º e o 2º colocados na urna. Cada turno é comparado com o resultado do próprio turno: as pesquisas do 1º turno com a apuração do 1º turno (não com o resultado final da eleição), e as do 2º turno com a apuração do 2º, onde a vantagem é a do vencedor.
- Erro da vantagem: vantagem na pesquisa menos vantagem na urna. Positivo: a pesquisa exagerou a vantagem de quem ficou em 1º. Negativo: subestimou. Se a pesquisa colocava o 2º colocado à frente, o instituto não apontou o vencedor.
- Média dos institutos: média simples das pesquisas finais; cada instituto conta uma vez, para que quem publica todo dia não pese mais.
- Institutos: identificamos pelo instituto que fez o campo, não pelo contratante (ex.: Globo/Datafolha → Datafolha). Ibope (até 2018) e Ipec (2022) aparecem separados; o Ipec foi fundado pela equipe do antigo Ibope Inteligência.
- 2026, presidente e governadores: o resultado vem dos arquivos oficiais de divulgação do TSE (resultados.tse.jus.br), com 100% das seções apuradas. As pesquisas são as dos painéis da Latinalytics (Wikipédia e notícias, com as correções registradas em cada painel). Comparamos os dois candidatos de cada painel, que são os dois primeiros das pesquisas; quando um deles não ficou entre os dois primeiros na urna (SC), a comparação continua sendo entre os dois do painel.
- Votos válidos em 2026: (1) quando a pesquisa publicou brancos, nulos e indecisos, válido = total × 100 ÷ (100 − brancos, nulos e indecisos); (2) quando o instituto só publicou votos válidos, usamos esse número; (3) quando não há nenhum dos dois, estimamos com a mediana de brancos, nulos e indecisos do próprio instituto nas outras pesquisas de 2026 (ou do painel) e marcamos a linha como estimado. No 2º turno, com só dois candidatos, o caso (3) tem conta exata: válido = candidato × 100 ÷ (soma dos dois), que é o que sobra depois de tirar brancos, nulos e indecisos, mesmo sem eles terem sido publicados.
- 2º turno de 2026: mesmas regras do 1º, com a última pesquisa de cada instituto nos 7 dias antes de 25/10. Entram o presidente e os 6 estados que tiveram 2º turno para governador (AC, AM, DF, ES, RN e TO); os outros 21 decidiram no 1º turno. O ranking dos institutos para governador continua sendo o do 1º turno, com as 27 disputas: no 2º turno, poucos institutos fizeram pesquisa final em 3 ou mais estados.
- Esquerda × direita em 2026: usamos a posição dos partidos da análise de espectro. Só entram as disputas em que os partidos dos dois candidatos estão a pelo menos 2 pontos de distância na escala (−10 a +10); o viés é o erro da vantagem do candidato mais à esquerda sobre o mais à direita.
- Situação × oposição em 2026: o candidato da situação é o governante que disputa a reeleição ou o candidato apoiado pelo governo (ou do mesmo grupo e partido do governador), como registrado em cada painel. Não entram AM, MG e RS, onde o candidato do governo não ficou entre os dois primeiros, e RJ, governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça.
- Correção de 2026: explicada em detalhe em "Correção de 2026, passo a passo", logo abaixo.
- Limites: o erro inclui movimentos reais de última hora (em 2014, Aécio Neves cresceu nos dias finais do 1º turno) e não só falhas de método.
Correção de 2026, passo a passo
O que é. Um exercício contrafactual: "se cada instituto errar em 2026 como errou nas eleições anteriores, qual seria a vantagem?". Não é uma previsão nem um modelo de resultado: não considera tendência, indecisos, abstenção nem eventos de campanha.
1. O eixo do erro: PT × principal adversário. Em 2026, o painel compara Situação (Lula, PT) e Oposição (Flávio Bolsonaro, PL). Para medir o mesmo eixo no passado, usamos, em cada eleição, a vantagem do candidato do PT sobre o principal adversário, pois o PT esteve entre os dois primeiros em todas as eleições desde 1998. Não usamos o "candidato do governo" da vez porque esse eixo muda de lado: em 2002 a situação era Serra (PSDB) e o PT era oposição; em 2022 a situação era Bolsonaro; em 2018 nenhum candidato do governo Temer ficou entre os dois primeiros. Nesse eixo, o erro das pesquisas oscila de sinal de uma eleição para outra; no eixo PT × adversário, ele foi a favor do PT em 11 dos 13 turnos.
| Eleição | Candidato do PT | Principal adversário | Situação (governo) |
|---|---|---|---|
| 1998 | Lula | FHC | FHC (PSDB) |
| 2002 | Lula | Serra | Serra (PSDB) |
| 2006 | Lula | Alckmin | Lula (PT) |
| 2010 | Dilma | Serra | Dilma (PT) |
| 2014 | Dilma | Aécio | Dilma (PT) |
| 2018 | Haddad | Bolsonaro | nenhum entre os dois primeiros (governo Temer, MDB) |
| 2022 | Lula | Bolsonaro | Bolsonaro (PL) |
| 2026 | Lula | Flávio Bolsonaro | Lula (PT): o eixo coincide com Situação × Oposição |
2. O erro de cada instituto em cada eleição. Para cada turno, pegamos a pesquisa final do instituto (a última com fim de campo até 7 dias
antes da eleição, como no resto da análise), em votos válidos, e calculamos:
erro = (PT − adversário na pesquisa) − (PT − adversário na urna)
Positivo quer dizer que o instituto mostrou o PT melhor do que a urna; negativo, pior.
3. Peso maior para as eleições recentes. Métodos, equipes e o próprio eleitorado mudam, então o erro de 2022 diz mais sobre 2026 do que o de 1998.
Cada eleição recebe peso = 0,5 ^ ((2022 − ano) ÷ 4): meia-vida de 4 anos, ou seja, a cada ciclo para trás o peso cai à metade.
| Eleição | 2022 | 2018 | 2014 | 2010 | 2006 | 2002 | 1998 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Peso | 1 | 0,50 | 0,25 | 0,13 | 0,06 | 0,03 | 0,02 |
4. Viés bruto do instituto. Média ponderada dos seus erros no mesmo turno: viés bruto = Σ (peso × erro) ÷ Σ peso.
A soma dos pesos, W, mede quanto histórico recente o instituto tem (W = 1 para quem só tem 2022; perto de 2 para quem tem todas as eleições).
5. Viés do mercado. A mesma média ponderada, aplicada à média de todos os institutos em cada eleição. Hoje ela é de pts no 1º turno e pts no 2º.
6. Encolhimento para a média do mercado. Um único erro é em boa parte acaso (amostra, momento do campo), então quem tem pouco histórico não deve
ter um viés extremo só por uma eleição. Combinamos o viés do instituto com o do mercado:
viés = (W × viés bruto + K × viés do mercado) ÷ (W + K), com K = 1.
Com K = 1, a média do mercado vale como uma eleição recente: um instituto que só tem 2022 fica com metade do próprio erro e metade da média do mercado;
um com todas as eleições fica com cerca de dois terços do próprio histórico. Institutos sem nenhum histórico recebem o viés do mercado.
7. Quais pesquisas de 2026 entram. A pesquisa mais recente de cada instituto para o 2º turno (Lula × Flávio), com fim de campo nos últimos
21 dias, lida do painel federal da Latinalytics (fonte: Wikipédia, atualizado a cada coleta). A vantagem é convertida para votos válidos,
100 × (Lula − Flávio) ÷ (Lula + Flávio), a mesma base em que o erro histórico foi medido. Os nomes são casados com o histórico pelo instituto que faz
o campo: BTG/FSB-Nexus → FSB e Meio/Ideia → Ideia. Ibope e Ipec não são tratados como o mesmo instituto.
8. Depois da eleição. A seção mostra a leitura da véspera (pesquisas com fim de campo até 24/10) e usa o viés de cada instituto calculado antes do resultado (cópia da análise feita na véspera). Recalcular com o histórico atual não faria sentido: o erro de 2026 entraria na correção da própria eleição de 2026. A urna aparece ao lado, como uma linha tracejada no gráfico e no resumo.
8. A correção. vantagem corrigida = vantagem na pesquisa − viés do instituto no 2º turno. A média corrigida é a média simples das
vantagens corrigidas, com cada instituto contando uma vez.
9. Faixa de incerteza e "empate técnico". O erro típico é a raiz do erro quadrático médio, ponderado pelos mesmos pesos, da média dos institutos em cada 2º turno: hoje pts. Se a média corrigida fica dentro dessa faixa, a página diz "empate técnico". Ela não é uma margem de erro estatística: é quanto a média das pesquisas costumou errar na véspera.
10. Por que não corrigimos o 1º turno. O erro histórico do 1º turno é grande e vai quase sempre na mesma direção, mas mistura duas coisas: viés dos institutos e movimentos reais da última semana (voto útil, eleitores de terceiros candidatos que migram, indecisos). Esses movimentos dependem de cada eleição. Além disso, as pesquisas de 1º turno do painel estão em votos totais e não trazem todos os candidatos, então não é possível convertê-las com precisão para votos válidos. Por isso mostramos apenas o viés histórico de cada instituto no 1º turno, sem média corrigida.
11. Limites que é preciso ter em mente.
- Histórico curto: vários institutos têm uma ou duas eleições, e o erro de um mesmo instituto varia vários pontos de uma eleição para outra.
- Momento diferente: o erro histórico do 2º turno vem de pesquisas feitas na última semana antes do 2º turno; as pesquisas de 2º turno de hoje são cenários feitos antes do 1º turno. A correção supõe que o viés do instituto é o mesmo nos dois momentos.
- Mudanças de método: institutos trocam de método (presencial, telefone, internet), de ponderação e de equipe; o peso por recência atenua, mas não elimina isso.
- Viés do mercado não é garantia: em 2022 o 2º turno acertou a vantagem; em 2018 subestimou o PT. Um ciclo pode fugir ao padrão.